quinta-feira, 6 de março de 2008

BLOGS, A NOSSA MÍDIA.


Tenho visto, a cada dia que passa e com o tanto que estou envolvida com a blogosfera, que os blogs têm um incrível poder de comunicação, mas, que pena, muito mais entre si, ou seja, os assuntos tratados nos blogs quase nunca saem da blogosfera, não atingem a mídia convencional, mesmo que tratem de temas da maior relevância, muitos deles voltados para direitos essências do ser humano como o blog de Flavia, e muitos outros que sabemos, existem.

O blog de minha filha, FLAVIA, VIVENDO EM COMA, onde há mais de um ano eu relato uma história verídica de desrespeito aos seus direitos e alerto para o perigo dos ralos de piscinas, tem conseguido boa visibilidade na blogosfera, - mas não tem despertado o interesse da mídia convencional.

No Brasil, três jornalistas que escrevem com a maior competência, chegaram ao blog de Flavia, e escreveram sobre ela em seus blogs. Maristela Bairros do blog CLINICA DA PALAVRA, de Porto Alegre,
Maurette Brandt do blog, JORNALÍSTICO, do Rio de Janeiro, e mais recentemente, Paula Calloni do blog JABUTICABA, de São Paulo. Infelizmente essas jornalistas atualmente não estão fazendo parte do staff de nenhuma grande mídia no Brasil, por exemplo, os jornais: O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, as Revistas, Veja, Época, e IstoÉ e emissoras de TV entre elas, a poderosa Rede Globo de Televisão. Mesmo assim, Maristela, Maurette e Paula, estão solidárias com minha luta de divulgação da história de Flavia, que para quem já conhece o blog sabe que o foco principal é protestar contra a lentidão da justiça brasileira e alertar para o perigo dos ralos de piscinas. Tanto Maristela, quanto Maurette e Paula, tentaram e ainda tentam conseguir junto à mídia convencional, um espaço para Flavia. Mas até agora, de concreto, nada.

Esperemos que a mídia convencional se dê conta de que pode encontrar nos blogs assuntos muito mais interessantes para suas matérias do que por exemplo noticiar sobre a vida pessoal dos artistas, alimentando uma rede de fofocas que em nada acrescenta a quem quer que seja, pelo contrário, leva as pessoas a desviarem a atenção para o que realmente é importante, como por exemplo, o perigo existente e escondido nos ralos de piscinas, além de mostrar que é possível, mesmo com dificuldades, o exercício da cidadania. Esperemos que a mídia convencional desperte para os assuntos tratados nos blogs, e os divulguem como merecem ser DIVULGADOS.

Aqui trechos do post de Paula Calloni:

“...Eu sou jornalista. Ou pelo menos assim diz meu diploma conseguido em 1993. E meu MTB na carteira de trabalho. Muita gente vê o jornalista como um ser dotado de uma espécie de "super-poderes", capaz de resolver o que um Estado omisso, inepto, não consegue. Calma lá. Ninguém discute a força de um editor de "Veja", de "Época" ou de "IstoÉ". Não menciono outras publicações, a meu ver escrotas, como "Caras" e "Contigo". Estas satisfazem a frustração do leitor de mente pequena, medíocre, que não consegue ter nenhum sonho além do que aqueles fúteis, que as celebridades vivem, de forma efêmera. "

"...Estou falando de jornalismo de verdade. Usarei da sinceridade que me é típica. Lamentavelmente, eu não pertenço a este staff dos jornalistas "contratados", com carteira assinada e alguma voz que faça diferença. A vida me levou ao casamento, aos filhos...me dediquei nos últimos anos à maternagem e não me arrependo. Foi uma opção de vida. Mas paguei um preço por isso. Não tenho o atribuído ou suposto PODER DA IMPRENSA nas minhas mãos. Nenhum repórter tem, pois somos, como categoria, subordinados, apenas. Eu tenho visão, cultura, um bom faro...e só. De resto, eu e meus colegas repórteres, dependemos da boa vontade de editores, dos "chefões", que estão "lá". Lá, nas ilhas de manipulação de informações."

"...A boa notícia, é que não vou desistir de Odele e Flávia. Porque a despeito do que muitos possam considerar como ingenuidade, eu acredito numa causa. Eu mantenho em mim o mesmo idealismo de quando me formei na faculdade. Eu ainda acho que posso ajudar, ainda que com uma mínima parcela de contribuição, a mudar o mundo, sim. Eu ainda acho que existe uma Imprensa muito boa, a serviço de todos nós, cidadãos. Eu ainda acredito que um dia, as vendas de "Caras" e de "Contigo", despencarão, que o BBB será sepultado por falta de audiência, que o "Aqui Agora" será um estrondoso fracasso em sua ressurreição lamentável na TV...Eu ainda acredito que um dia esse povo consumidor da Imprensa vagabunda e baixa vai ter mais cabeça pra consumir o que realmente é importante, o que realmente tem conteúdo."

O artigo de Paula Calloni, na íntegra, está publicado no blog brasileiro, JABUTICABA. Passe por lá, é rapidinho, basta um clic no mouse.
Tirem um tempinho também para ler os posts das Jornalistas Maurette e Maristela. Além de nos prestigiar, você terá o prazer de ler dois textos bem escritos.

Muito obrigada e até o próximo post.

5 comentários:

Silvia Madureira disse...

Olá:

Sei que qualquer palavra não é suficiente para colmatar a sua dor de mãe.

Sei também que só com minhas meras palavras posso contribuir para atenuar sua dor...

Realmente posso dizer que o pequeno texto que li se encontra muito bem escrito e demonstra uma grande sensibilidade e revolta pela injustiça do mundo...

Acredite...toda a luta por mais invísivel que possa parecer dará seus frutos.

beijo para brasil

SILÊNCIO CULPADO disse...

Odele
A visibilidade pode ser o começo duma força mobilizadora em torno do caso de Flávia. Oxalá que sim e que essa força seja suficiente para pressionar a justiça que tarda.

Beijinhos

Mocho-Real disse...

Por cá, o que mais se viu e ainda acontece foi uma inveja e um ataque cerrado aos bloguistas, por parte da imprensa convencional. Medo de ficarem sem leitores? Talvez, mas não só.
A imprensa sempre pôde dizer o que queria e da forma como queria.
Hoje, são rapidamente desmentidos por uma imensidão de gente espalhada por todo o país.
Os fretes que faziam alhguns jornalistas deixaram, então, de poder ser feitos sem que de nada se suspeitasse.

Como este blogue me parece ser um colectivo de algumas amigas, deixo um abraço para todas e mais um, claro, vocês sabem para quem.

Jorge G.

Espaço do João disse...

Subscrevo por inteiro o comentário de "silêncio culpado". João

Å®t Øf £övë disse...

Odele,
É verdade que os lobbies da comunicação social são muito fortes, e por isso eles procuram só publicar lixo, porque é isso que vende. No entanto acho que a tua luta aos poucos tem conseguido uma notável divulgação. O importante é nunca desistires... nunca.
Bjs.