quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

BLOGAGEM COLETIVA - DIREITOS HUMANOS.

Selo criado por Lino Resende

Com muito gosto participo da Blogagem, Coletiva sobre Direitos Humanos, organizada por Sam Cyrous do blog FÊNIX AD ETERNUM.

Hoje, 10 de Dezembro a Declaração Universal dos Direitos Humanos, faz 60 anos. E lamentavelmente - em todas as partes do mundo - ainda temos que lutar pelos nossos direitos mais básicos, como por exemplo à dignidade e à justiça. Vemos diariamente pessoas vivendo à margem da sociedade, ou mesmo da vida, porque seus direitos são desrespeitados. Bom seria que não fosse preciso lutar para ver respeitados nossos direitos humanos, bom seria que houvesse DIGNIDADE E JUSTIÇA PARA TODOS NÓS.

Imagens que falam por mil palavras.

Viu só quantas coisas podemos fazer com nossa assinatura?! Precisamos nos importar, lutar, resistir, exigir. São os nossos direitos! DIREITOS HUMANOS.Vamos nos dar as mãos nesta luta que é de todos nós. Participe você também.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O DIA MUNDIAL DA LUTA CONTRA A SIDA


O Sol Poente quer assinalar este dia com um grito de alerta para o aumento de casos em determinados grupos onde falha sistematicamente a prevenção.

Também quer deixar aqui uma mensagem solidária para todos os que estão infectados. É urgente que todos acreditem na possibilidade de viverem e conviverem com a Sida enquanto a cura tarda. É preciso acreditar que a ciência tem respostas cada vez mais precisas e próximas das expectativas de cura. É preciso não desfalecer e caminhar sempre no sentido da vida, agora com novos desafios, mas não com menos beleza e intensidade.

Um apelo também a todos aqueles que, não estando infectados, poderão contribuir de forma decisiva no combate à descriminação.

E, finalmente, uma chamada de atenção para as crianças que estão infectadas e que precisam de amor e de um lar. Na instituição SOL há 24 crianças com HIV a precisarem de si. Não as ignore.

Junte-se a nós e caminhemos juntos. A vida é contingente e ninguém está imune a uma infecção do HIV.


Particular realce para o trabalho publicado no Jornal Noticias da Manhã a assinalar este dia.


:: Notícias da Manhã ::

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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Sangue e Preconceito

(Imagem de Isabel Filipe Art&Design para o Sidadania)

Durante alguns anos fui dador de sangue. O posto onde rotineiramente me apresentava para entrega da minha dádiva era o Serviço de Sangue do Hospital Curry Cabral em Lisboa. Aí era sempre recebido com uma afabilidade própria de quem já se tornara parte de uma grande família, cujo primeiro e único móbil era a prestação de auxílio a quem dum bem tão fundamental necessitava.Nesse serviço a minha homossexualidade era conhecida dos vários clínicos que me atendiam na consulta de prévia de rastreio. Nunca tal circunstância era obstáculo à minha entrega periódica do meio litro de meu Rh O negativo; que segundo fiquei a saber era raríssimo e muito necessário. Era com alegria que trimestralmente me apresentava no referido serviço para a respectiva recolha do meu fluido vital, de que tantos careciam.Mas não há bela sem senão. Certo dia foi para esse Serviço de Sangue uma médica jovem (diria menos de 30 anos, pelo que a chamavam de Drª Mariazinha) recém formada, que me calhou na consulta de rastreio. Ao saber da minha homossexualidade ela liminarmente recusou a minha dádiva, afirmando: “Vocês homossexuais, apenas vêm dar sangue para terem análises grátis de despiste do VIH! Recuso-me a aceitar sangue dum homossexual.”Minha estupefacção perante tão vil insulto e tamanha insensibilidade, deixou-me completamente mudo e incrédulo. Saí do consultório e ao ser interrogado na recepção porque me estava indo sem dar sangue apenas pude responder à auxiliar administrativa de serviço que a minha dádiva fora rejeitada por ser homossexual. Depressa abandonei as instalações pois a revolta pelo ultraje apenas me dava vontade de chorar.Já cá fora, ao atravessar o jardim rumo ao portão de saída do hospital, ouvi gritar o meu nome. Era a directora do Serviço de Sangue quem me chamava, correndo em minha direcção. Pediu-me perdão pelo sucedido e para voltar com ela ao Serviço de sangue. Aí ela mesma me atendeu e autorizou a minha doação, tendo ainda me rogado insistentemente que não deixasse de dar sangue e que sempre que me apresentasse na recepção informasse a assistente de serviço que não queria ser atendido pela Drª Mariazinha, pois outro médico me atenderia sem problemas.E por vezes pensamos nós que os jovens têm uma mentalidade mais aberta e sem preconceitos. Pura ilusão.Este caso singular naquela instituição foi uma nódoa que poderia ter manchado a reputação modelar da mesma. Chamo de modelar as normas pela qual se regia (só me refiro ao tempo em que lá recorria para doar sangue, mas espero e acredito, que ainda assim continue) o Serviço de Sangue do Hospital Curry Cabral, uma vez que noutras unidades de saúde hospitalares sempre presenciei uma homofobia doentia e encarniçada para com os pretendentes dadores homossexuais. E passo a citar alguns onde tive de omitir a minha homossexualidade para poder prestar o meu auxílio ao próximo, pois logo à entrada me era distribuído um folheto onde grosseiramente se lia que a dádiva estava interdita a homossexuais: Hospital Nossa Senhora do Rosário (Barreiro), Hospital Garcia de Horta (Almada), Hospital de São Francisco Xavier (Lisboa). Estes os casos que testemunhei pessoalmente, mas acredito que muitos mais haverá ainda por esse país fora. Aí eu tive de mentir por omissão, para que fosse a minha dádiva aceite.Lamentável!
ManDrag

A descriminação no que diz respeito a quem de um modo altruista dá sangue para salvar vidas continua a existir.Ter uma preferência sexual diferente, ou um parente infectado pelo HIV parecem ser motivos impeditivos, para que um cidadão possa exercer esse nobre acto.É importante denunciarmos atroplelos por parte do pessoal de saúde que trabalha na recolha de sangue, para que este estado de coisas acabe de uma vez por todas.Claro que é importante termos um sangue de qualidade sem agentes patogénicos passiveis de provocarem danos às pessoas que recebem esse bem essencial à continuidade de suas vidas, mas para isso basta um controle e testes a cada unidade de sangue doada.Este testemunho do Mandrag é importante e todos os outros testemunhos que os nossos leitores nos possam trazer para que os possamos publicar.Em Janeiro publicámos um texto sobre estes atropelos, que o convidamos a ler clicando em : Sangue Dádiva de Amor
É importante acarinharmos aqueles que num gesto de amor se dispõem a dar sangue. É importante termos nos serviços de sangue profissionais dedicados que dêm importância à necessidade que temos deste fluido que pode fazer a diferença entre a vida e a morte.Aqueles que nesses serviços pensam que estão a fazer um favor aos dadores por lhes retirarem o sangue, e dando-lhes previlégios de análises gratuitas, certamente não serão as pessoas indicadas para lá estarem.Só denunciando casos como este e dando-os a conhecer, poderemos mudar o actual estado de coisas. Não nos podemos calar pois issso será pactuar com injustiças que não têm razão de ser.

domingo, 19 de outubro de 2008

Pobreza

"Era um inverno, tão frio, tão frio, que os pobres sofriam ainda mais do que o habitual.O rabino escolheu um dos dias mais gélidos para procurar o único judeu rico do povoado, homem famoso pela sua avareza. Bateu à porta, e foi o próprio que veio abrir. Era, seguramente, o único indivíduo da aldeia a não vestir mais do que uma camisa dentro de casa, tal era a qualidade do aquecimento no seu interior.

- Faz favor de entrar, rabi, está quentinho cá dentro.

- Não, não, não vale a pena, não demoro mais do que um minuto.
E o rabino encetou uma longa conversação com o homem, perguntando-lhe novidades de cada membro da família. O homem batia os dentes, porta sempre aberta, insistindo incessantemente com o rabino para que entrasse, mas este recusava sistematicamente.

- E o primo do seu cunhado, que foi para a cidade, como é que ele está? – continuava o rabino…

O homem estava roxo de frio.

- Finalmente, rabi, qual é o motivo da sua visita? – acabou por perguntar.

- Vim com o intuito de lhe pedir dinheiro para comprar carvão para os pobres da aldeia.

- Pois bem, então vamos entrar, falamos melhor sobre isso no quentinho…

- É que se eu entro, sentamo-nos à lareira, ficamos aquecidos, e quando eu lhe explicar que os pobres têm frio, o senhor não irá compreender. Vai-me dar cinco rublos, quando muito dez. Mas, assim, cá fora, sentindo-se um pouquinho de frio, estou certo de que o senhor vai compreender melhor…

O homem ofereceu cem rublos ao rabino, ficando feliz, quanto mais não fosse pelo facto de poder fechar a porta e voltar a sentar-se junto à lareira.

"(Marc-Alain Ouaknin e Dory Rotnemer, in A Bíblia do Humor Judaico, I)"

Encontrei este texto no contrapobreza...

Mesmo não sendo hoje o dia escolhido para se falar no assunto, acho que é sempre tempo...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O NOME DA DOR



Albino Forjaz Sampaio, autor do século passado, dizia no seu livro Palavras Cínicas: “Nunca te debruçaste na alma dum paralítico? Pois a qualquer momento que o fizesses havias de o encontrar absorto na raiva de toda a humanidade não ter, como ele, a sua cadeira de rodas.”



Dizia este homem, para quem a humanidade era um sucessivo desencanto, que o espírito humano tem deformidades que o levam a desejar aos outros os seus próprios males para não sofrer sozinho a compaixão e a inferiorização dos olhares que o diminuem por ser diferente.

Se é certo que Albino Forjaz Sampaio terá sempre uma parte da humanidade que se revê nas suas teorias a verdade é que, e felizmente, também há aqueles para quem a adversidade se transforma numa causa para a vida para que outros não tenham que passar pelos mesmos infortúnios. E isto independentemente da situação de desgraça lhes ter, ou não, sido ocasionada por alguém desse universo tempestuoso que Albino Forjaz Sampaio tantas vezes encontrou no seu caminho.

O mundo do HIV espelha muito todas estas situações. Pessoas que foram infectadas por outras que conscientes da sua patologia não se inibiram de passarem a outros a doença que também receberam de forma traiçoeira qual fantasma dos seus dias escuros e incertos, discriminados e solitários.

Mas é nas grandes provas que se conhecem as grandes pessoas. Raul, proprietário dos blogues SIDADANIA foi submetido a uma delicada operação cirúrgica ao coração e está agora nos cuidados intensivos. Há 12 anos que vive com o HIV e que deixou para trás os seus sucessos e uma vida que em tudo parecia ser promissora. Há 12 anos que Raul sofre na pele a dor duma doença para a qual não há cura e que só cede em troca de danos colaterais que vai provocando com a medicação adoptada.

Porém, e apesar das limitações, Raul não desiste na sua cruzada contra a SIDA, escrevendo nos seus blogues, informando-se em congressos, visitando locais onde as prostitutas procuram os seus clientes, para lhes falar sobre a prevenção e lhes distribuir preservativos. O mesmo faz com as seringas em relação aos toxicodependentes. Todas as suas forças estão centradas neste combate e, por isso, não se lamenta.

Apenas lamenta que a sua palavra não chegue a todos, que muitos se percam por falta de esclarecimento, que muitas crianças seropositivas sejam abandonadas em instituições e nunca, ou muito raramente, sejam escolhidas para adopção.

São dele as frases que a seguir transcrevo.


“Nem sempre a vida é fácil, e nós por vezes contribuímos para a tornar ainda mais difícil com a nossa inactividade.

Quotidianamente recebemos lições de vida, muitas das quais nos passam despercebidas tão ocupados estamos olhando para o nosso umbigo, ou lamentando-nos dos nossos problemas, que em vez de nos libertarmos nos afundamos cada vez mais não vendo saída, o que poderia acontecer caso investíssemos esforço na resolução dos nossos problemas.

Quantas vezes sendo incapazes de resolver os nossos problemas não aceitamos a ajuda que nos dão por pensarmos que a mesma não chega para a solução deste ou daquele problema. Certo é que somos exigentes connosco mesmo até em receber isto ou aquilo só porque habituados a pensar quantitativamente nos esquecemos que uma grande inundação começa com uma gota de água. Queremos tudo de uma vez e na medida certa para satisfazer as nossas necessidades e acabamos por as agravar tornando o nosso sofrimento cada vez maior.

Para além disso poderei dizer que me dói a alma, não só por mim mas por todos aqueles que estão infectados, e por aqueles que em breve passarão a estar porque a mensagem dos perigos da SIDA não foi passada e ela só acontece aos outros.”



domingo, 14 de setembro de 2008

Justiça em Coma


S. Paulo-Brasil, 6 de Janeiro de 1998 – 18H30
“Quando consegui chegar mais perto, vi Flavia de olhos fechados, imóvel, roxinha. Comecei a repetir para mim mesma:- Não há de ser nada, não há de ser nada...não há de ser nada....”


Mas foi. Os cabelos de Flavia foram sugados pelo ralo da piscina, cujo sistema de sucção estava ligado e era sobre dimensionado para o tamanho da mesma.
Passaram-se mais de 10 anos, e Flavia continua viva em Coma Vigil.
Uma longa batalha judicial está sendo travada, para apurar responsabilidades e para que seja feita justiça. O Coma de Flavia é irreversível segundo os especialistas médicos. O Coma ou a letargia de que a justiça brasileira está doente em relação a este caso, esse pode ter cura se houver boa vontade por parte dos tribunais e daqueles que têm o poder judicial em suas mãos.
A vida de uma criança de dez anos, ficou suspensa naquele dia. Perdeu a escola, os amiguinhos de brincadeira, a sua preparação para a vida e tudo o que de bom a vida humana tem na infância e adolescência. Essa menina desapareceu e não existe mais. Hoje existe uma cidadã, de vinte anos impedida de viver a sua própria vida autonomamente, devido a uma incapacidade causada pela negligência dos homens, (quando ainda era criança) num acidente que poderia e deveria ter sido evitado se houvesse leis e uma fiscalização eficaz no licenciamento de locais de lazer, que supostamente são para as pessoas se divertirem, mas que mais parecem um campo minado onde a cada passo espreita o perigo.
Num estado de direito e democrático, como pensamos que o Brasil seja, na impossibilidade de reparar os danos causados a Flavia, a justiça deveria actuar obrigando os culpados a indemnizar a vítima, para que ela possa ter os cuidados de saúde e a melhor qualidade de vida possível face à incapacidade que sofre. Não o fazendo, está a culpabilizar a vítima e a proteger aqueles que irresponsavelmente colocam no mercado bens de consumo perigosos para o utilizador, e cujo objectivo é o lucro fácil esquecendo-se que a vida de qualquer ser humano é o bem mais precioso que alguém pode ter.
Não vamos esperar um final feliz para este caso, já que isso não é possível devido aos gravosos danos sofridos por Flavia. Vamos esperar sim um fim rápido, e que a justiça no mínimo confira à vida humana a dignidade que ela merece.
Flavia, é apenas um caso entre tantos que aconteceram e continuam a acontecer. Quantas mais crianças terão de morrer ou ficar em coma, para que se encontrem soluções, haja fiscalização e sejam atribuídas responsabilidades aos culpados por estes dramas?

"Quem não castiga o mal ordena que ele se faça."

Leonardo da Vinci

(Texto publicado em: Sidadania II)